Siga-nos nas redes sociais:

Acessibilidade

AUMENTAR CONTRASTE

DIMINUIR CONTRASTE

"Rede que Protege" apresenta dignóstico nacional sobre o enfrentamento da violência contra a mulher

10/08/2026

Rede que Protege, do Sistema de Tribunais de Contas, divulga diagnóstico; ação é a primeira de muitas outras - imagem Instituto Justiça de Saia

“O Brasil é um país machista”? “A violência contra as mulheres aumentou, no Brasil, nos últimos 12 meses”? “As mulheres são tratadas com respeito em nosso país”? Essas perguntas orientaram a realização da última Pesquisa Nacional de Violência contra Mulher, iniciativa do DataSenado, instituto de opinião pública do Senado Federal.

A edição da pesquisa de 2025 entrevistou 21.641 mulheres – a segunda maior amostra registrada. A investigação está dividida em duas partes: a percepção das mulheres sobre a violência e a vivência das mulheres que sofreram violência. Sobre a dimensão da percepção, para 79% das entrevistadas a violência aumentou; 70% afirmam que o Brasil é um país violento; e 46% acreditam que as mulheres não são tratadas com respeito.

Quanto à experiência, a pesquisa, que está em sua 11ª edição, identificou que 29% das mulheres que declararam não ter sofrido violência, relataram experiências indicadas no relatório como formas de violência – abuso físico, psicológico, sexual, patrimonial ou moral. O percentual equivale a 25 milhões de mulheres em situação de violência nos últimos 12 meses. Outro dado alarmante apurado pela pesquisa é que 83% das mulheres que declaram serem vítimas de violência ainda residem com o agressor.

Os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, referentes a 2024, mostram que o Brasil registrou 1.492 vítimas de feminicídio, maior número da série histórica, e 3.870 tentativas de feminicídio, crescimento de 19% em relação ao ano anterior. Também foram contabilizados 1.067.556 acionamentos do telefone 190 relacionados à violência doméstica, média de duas chamadas por minuto.

Rede de proteção

Os Tribunais de Contas do Brasil dão mais um passo histórico e rompem com a visão tradicional de que o controle externo deve se limitar à fiscalização contábil de receitas e despesas. Atuando de forma sistêmica, as Cortes de Contas, sob a coordenação da Rede Nacional de Controle Externo pela Proteção das Mulheres - a "Rede que Protege" – acabam de publicar o primeiro Diagnóstico Nacional do Controle Externo sobre o Enfrentamento da Violência contra a Mulher.

O relatório foi divulgado durante evento realizado no TCE-RJ - foto: Laís Aguiar Gabriel (Atricon)O documento, divulgado nesta segunda-feira (10.8) durante o Seminário Nacional de Controle Externo voltado ao Enfrentamento da Violência contra a Mulher, realizado na sede do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), sintetiza evidências coletadas até julho de 2026 a partir de 99 documentos técnicos, 46 auditorias, 15 levantamentos, 26 decisões colegiadas e o mapeamento de 201 práticas territoriais.

O diagnóstico revela um cenário preocupante: a existência formal de leis, conselhos e planos municipais não têm se traduzido em proteção real na ponta. O relatório revela que as redes de proteção pública operam de forma isolada e burocrática, convertendo o ato de encaminhamento em barreira que transfere para a própria vítima a responsabilidade de conectar os serviços, o que gera desgaste e revitimização. Destacam-se, negativamente, a fragilidade da governança intersetorial, orçamentos pulverizados e invisíveis nas leis orçamentárias, déficit crítico e rotatividade de equipes multidisciplinares, alocação geográfica desigual de delegacias e abrigos, além de sistemas de dados cegos e desconectados.

Por outro lado, o diagnóstico aponta como avanço a consolidação de novas metodologias de fiscalização que vão além do controle contábil tradicional, tais como auditorias focadas na "jornada da usuária", monitoramento de cumprimento de metas nos territórios e inteligência baseada em georreferenciamento de dados.

Ponto de partida

O relatório deixa claro que o diagnóstico é apenas um ponto de partida para a Rede que Protege, articulação institucional que mobiliza a Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), o Instituto Rui Barbosa (IRB), o Conselho Nacional de Presidentes dos Tribunais de Contas (CNPTC), a Associação Nacional dos Ministros e Conselheiros Substitutos (Audicon), a Associação Nacional dos Auditores de Controle Externo (ANTC) e Associação Nacional do Ministério Público de Contas (Ampcon).

Ao longo da semana, outras notícias, relacionadas ao relatório (que pode, ao final deste texto, ser acessado na íntegra), serão divulgadas, buscando dar visibilidade aos principais achados do diagnóstico.

Acesse o relatório da Rede que Protege e também o resumo executivo da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher

O mês de agosto é destacado como como o período oficial de mobilização contra a violência de gênero no Brasil. Há 20 anos, era promulgada a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340), considerada o mais abrangente aparato legal contra o abuso doméstico, responsável por caracterizar a violência de gênero em crime. E, há quatro anos, com a Lei 14.448/2022, nacionalizou o Agosto Lilás, instituído como movimento oficial e nacional de conscientização voltada a divulgar a Lei Maria da Penha e intensificar o combate à violência contra a mulher.

Relatório é a primeira de outras ações do Sistema de Tribunais de Contas - imagem: print de tela