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Controladorias Internas têm a missão de estar atentas aos "rinocerontes cinza" da gestão pública

11/09/2026

Henrique Dias Quites, organizador do evento pelo TCEMG, destacou que a semente para o desenvolvimento dos controles internos foi plantada no estado- Foto: Veronica Manevy/TCEMG

A segurança da informação no setor público não pode ser encarada como um assunto restrito às equipes de Tecnologia da Informação. Essa foi a principal provocação do advogado e parecerista Rodrigo Pironti ao discutir a conexão entre controle interno, gestão de riscos e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) durante o II Seminário de Controles Internos e os Desafios na Gestão. 

Em sua palestra, ministrada na tarde de quinta-feira (10/09), o especialista em governança pública recorreu à célebre metáfora econômica dos "rinocerontes cinzas" — aqueles perigos gigantescos, óbvios e iminentes que estão bem diante dos nossos olhos, mas que a gestão teima em ignorar até ser atropelada por eles. "A LGPD precisa ser integrada aos mecanismos de conformidade corporativa e administrativa", sentenciou.

Rodrigo Pironti fez alertas sobre os riscos associados a vazamento de dados e a necessidade de a LGPD estar integrada às rotinas administrativas- Foto: Veronica Manevy/TCEMG

Como as informações pessoais viraram ativos valiosos, governos e empresas enfrentam a ameaça constante de vazamentos. Aí também entra a gestão de riscos, que opera como radar para mapear as vulnerabilidades presentes ao fazer na administração pública.

O papel desse monitoramento preventivo é identificar e desarmar essas armadilhas — que vão desde o vazamento de dados em uma simples manifestação na Ouvidoria até falhas contratuais com prestadores de serviços. A meta é fazer com que as instituições antecipem cenários de crise em vez de apenas correr para apagar os incêndios e contabilizar os prejuízos.

Nessa engrenagem protetiva, o controle interno assume o papel de linha de defesa definitiva. Pironti fez um alerta contundente aos participantes do II Seminário: a inércia consciente ou a omissão na proteção de dados sob tutela do Estado pode resultar na responsabilização pessoal do próprio servidor público. Para evitar que a conta sobre no CPF de quem trabalha na gestão, o sistema de controle interno deve atuar de forma ativa — auditando processos, cobrando o cumprimento de diretrizes de privacidade e garantindo que as regras de integridade saiam do papel e façam parte da rotina das lideranças e equipes técnicas.

UAI Risk: radar preventivo

Igor Martins da Costa, controlador-geral adjunto do Estado, apresentou o Uai Risk como possibilidade de gestão integrada - Foto: Veronica Manevy/TCEMG

Antecipar e desarmar armadilhas é o que busca uma inovação tecnológica aplicada ao controle interno: o UAI Risk, um sistema digital de Gestão Integrada de Riscos desenvolvido pela Controladoria-Geral do Estado (CGE-MG).

A ferramenta foi planejada para substituir planilhas manuais e processos burocráticos dispersos. No lugar, entrou em cena uma plataforma totalmente automatizada, capaz de mapear o ambiente organizacional e identificar gargalos fiscais e administrativos em tempo real.

A efetividade da aplicação é tamanha que a CGE passou a compartilhar o código-fonte do software de forma gratuita com prefeituras e órgãos como o Tribunal de Contas (TCEMG), destacou Igor Martins da Costa, controlador-geral adjunto do Estado.

O sistema atua para gerenciamento das compras e contratações. O UAI Risk funciona como uma espécie de radar preventivo, permitindo aos servidores avaliar o impacto de comportamentos que possam ameaçar o interesse público, validando e monitorando planos de ação imediatos para mitigar riscos antes mesmo da publicação de editais.

De acordo com Igor Martins, o objetivo é garantir que a tomada de decisões no ecossistema das “licitações seja guiada pela previsibilidade, evitando desperdícios e conferindo segurança jurídica aos ordenadores de despesas.”

Manual para boa gestão

O economista e consultor de gestão pública Fernando Passalio realizou o lançamento de sua obra Território da Prosperidade: Estratégia, Método e Liderança para Cidades que Querem Prosperar - Foto: Veronica Manevy/TCEMG

Durante o II Seminário de Controles Internos, o economista e consultor de gestão pública Fernando Passalio realizou o lançamento de sua obra mais recente, intitulada “Território da Prosperidade: Estratégia, Método e Liderança para Cidades que Querem Prosperar”, dentro do projeto Sempre Um Papo.

O ex-secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais e ex-presidente da Copasa reuniu no livro conceitos técnicos, exemplos práticos internacionais e "causos" reais para combater os exageros na máquina pública.

Funcionando como um verdadeiro manual voltado para prefeitos e secretários municipais, a publicação defende que o avanço econômico local e a atração de investimentos privados não dependem de fórmulas prontas ou de sorte, mas sim da construção de ambientes de negócios competitivos pautados pela segurança jurídica, liberdade econômica e boa governança.

Acesse as fotos do primeiro e do segundo dia do II Seminário de Controles Internos e os Desafios na Gestão. As fotos são de Veronica Manevy/TCEMG.