Siga-nos nas redes sociais:

Acessibilidade

AUMENTAR CONTRASTE

DIMINUIR CONTRASTE

Dia da Inovação reúne experiências que aproximam tecnologia, conhecimento e controle externo

02/10/2026

O coordenador de Auditoria de Tecnologia da Informação do Senado Federal, Yuri Morais Bezerra (Foto: Verônica Manevy)

Tecnologia para ampliar o trabalho de auditores, inteligência artificial aplicada à fiscalização, soluções desenvolvidas internamente, novas formas de preservar o conhecimento e buscar respostas fora dos muros das instituições. Esses foram alguns dos caminhos apresentados, a quinta-feira (1/10), durante o 8º Dia da Inovação Ada Lovelace, realizado pelo Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG). O nome da premiação é uma homenagem a Augusta Ada Byron, matemática e escritora britânica reconhecida como a primeira programadora da história.

Com o tema Quando o humano encontra a tecnologia, nasce o extraordinário, o encontro reuniu especialistas do Senado Federal, Cemig, Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE-SC), do Governo de Minas, do Gartner Research Group - empresa de pesquisa e consultoria em tecnologia da informação - e do próprio TCEMG. A programação também marcou o anúncio dos vencedores do Prêmio Inovar 2026, premiação para incentivar e valorizar ideias de eco-sustentabilidade, modernização e eficiência administrativa trazidas pelos próprios servidores e colaboradores do Tribunal.
Na abertura, o presidente do TCEMG, conselheiro Durval Ângelo, partiu de uma pergunta para tratar da relação entre tecnologia e controle externo: “Inovar para quê?”. Segundo ele, sistemas mais modernos, inteligência artificial e ganho de tempo são importantes, mas não constituem o objetivo final da inovação.
“Nós inovamos para servir melhor, para cuidar melhor do dinheiro público. Para ajudar a garantir que ele se transforme em escolas, hospitais e serviços”, afirmou.
Durval também usou o próprio cenário do Auditório Vivaldi Moreira para desenvolver essa ideia. O painel de Yara Tupinambá, "Pelos Caminhos de Minas", pintado em 1996 e que retrata diferentes períodos da história de Minas Gerais, ganhou movimento por meio de uma animação digital produzida especialmente para o evento.
“Hoje, 30 anos depois, a tecnologia faz essa obra ganhar movimento. Mas há algo que nenhuma tecnologia pode substituir: o olhar da artista, a sensibilidade de suas mãos e a humanidade que ela colocou em cada figura”, disse.
Ao relacionar a balança representada na obra ao papel do Tribunal, o presidente reforçou a responsabilidade humana sobre o uso da tecnologia. “A balança precisa continuar em mãos humanas. A tecnologia pode nos ajudar a fazer coisas extraordinárias, mas somos nós que precisamos decidir a serviço de quem ela estará.”
Tecnologia para todos


A primeira palestra mostrou como ferramentas antes restritas a especialistas em tecnologia podem ser utilizadas diretamente por profissionais responsáveis pelas fiscalizações. O coordenador de Auditoria de Tecnologia da Informação do Senado Federal, Yuri Morais Bezerra, apresentou experiências com ferramentas de low-code, self-service BI e agentes de inteligência artificial. A proposta é permitir que os próprios auditores desenvolvam aplicações, painéis e automações para responder a necessidades encontradas durante o trabalho.
A colaboração entre diferentes áreas também esteve no centro da palestra de Luis Mangi, vice-presidente do Gartner Research Group. Mangi discutiu as barreiras criadas quando equipes, informações e conhecimentos permanecem isolados dentro das organizações.
O vice-presidente do Gartner Research Group provocou os participantes a pensar quantos projetos de inovação envolvem efetivamente mais de uma área. Para ele, a transformação depende não apenas das ferramentas disponíveis, mas da capacidade de conectar pessoas e conhecimentos. “A inovação que fica numa diretoria é um projeto, a inovação que atravessa diretorias é transformação”, ponderou.

Conhecimento que não se perde

À tarde, o painel Momento Delas – Inovar para Gerar Conhecimento, mediado pela responsável pelo Núcleo de Inovação Estratégica do TCEMG, Bárbara Couto, reuniu experiências desenvolvidas no Tribunal nas áreas de gestão do conhecimento, organização da informação e fiscalização baseada em dados.

A servidora Neigmárcia Maria de Oliveira apresentou um trabalho de identificação e priorização dos conhecimentos críticos da instituição. O levantamento mapeou 924 conhecimentos relevantes. Desse total, 104 foram classificados como críticos e 227 estão em nível de monitoramento.

A coordenadora de Biblioteca e Gestão da Informação, Ana Carolina Ferreira, apresentou outro trabalho em andamento, voltado à organização dos documentos armazenados no SharePoint a partir do uso de metadados. A proposta é facilitar a localização e recuperação das informações e reduzir a dependência de estruturas de pastas e subpastas.

O diagnóstico sobre a utilização da plataforma pelas unidades começa neste mês. A previsão apresentada é concluir essa etapa até o fim do ano e, em 2027, avançar para a elaboração e execução de um plano de trabalho, incluindo capacitações.
A aplicação dos dados ao controle externo apareceu de forma mais direta na apresentação da coordenadora de Fiscalização Integrada e Inteligência em Atos de Pessoal, Isabela da Costa.

Ela apresentou o painel desenvolvido para acompanhar o pagamento do piso nacional dos professores nos municípios mineiros. A base trabalhada pela área recebe dados de 853 municípios, mais de 2,2 mil órgãos e cerca de 1,7 milhão de vínculos.

O trabalho aplica sucessivos filtros às informações das folhas de pagamento para identificar situações que precisam de análise mais aprofundada. Entre os critérios estão tempo de ingresso do profissional, continuidade do vínculo, vencimento básico e jornada de trabalho.

“Inovar não é apenas adotar a última tecnologia, mas é encontrar maneiras mais eficazes de enfrentar problemas reais. O painel vem para ampliar a nossa capacidade de observação, mas o conhecimento nasce da combinação entre método, experiência, colaboração e responsabilidade técnica”, considerou Isabela.

Diferentes caminhos 

O segundo painel da tarde, Inovação aberta na prática, mediado por Alex Lopes, reuniu experiências da Cemig, do TCE de Santa Catarina e do Governo de Minas e mostrou diferentes caminhos para desenvolver soluções dentro e fora das instituições públicas.

A coordenadora do Laboratório de Inovação do TCE-SC, Tatiana Custódio, apresentou a experiência do órgão com inovação aberta.

Em vez de especificar previamente um sistema, determinados problemas são apresentados ao ecossistema de inovação para que empresas, startups e universidades possam propor alternativas. “Experimentar é produzir evidências”, resumiu.

Na Cemig, essa aproximação com o mercado já ocorre por meio de diferentes programas de inovação. O superintendente de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, Felipe Cardoso, apresentou a experiência da companhia com startups para buscar soluções para problemas do setor elétrico.
Entre os exemplos apresentados está uma solução desenvolvida para analisar informações geradas pelos medidores inteligentes instalados na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Segundo Felipe, a ferramenta permite utilizar esses dados para antecipar ocorrências na rede.
O especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, Ian Vieira, apresentou uma terceira possibilidade: antes de procurar uma solução no mercado, avaliar se o próprio poder público consegue desenvolvê-la.
Criado em 2024, o Automatiza MG utiliza automação, ferramentas low-code e no-code e inteligência artificial para desenvolver soluções voltadas às rotinas do Governo de Minas.
Entre os exemplos apresentados, uma atividade que mobilizava 11 pessoas passou a ser executada por uma servidora com apoio de automação. Em outro caso, robôs foram utilizados para processar um passivo de cerca de cinco mil recursos de multas.

Ao longo do encontro, painéis, agentes de inteligência artificial, robôs, análise de dados e experiências com startups mostraram possibilidades distintas de incorporar tecnologia ao setor público. Em comum, as apresentações colocaram as ferramentas como meio para enfrentar problemas concretos, preservar conhecimento, ampliar a capacidade de fiscalização e apoiar decisões que continuam sob responsabilidade das pessoas.

Imagem gerada com suporte de ferramenta de IA