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Durval Ângelo destaca atuação dos Tribunais de Contas para transformar primeira infância em políticas públicas

28/08/2026

Durval falou com os participantes no último dia do evento - foto: TCE-GO
Presidente do TCEMG apresentou, no III ENAPI, iniciativas que unem diagnóstico, planejamento, articulação institucional, acompanhamento dos orçamentos e fiscalização
 
 
Transformar a prioridade à primeira infância em políticas públicas que cheguem efetivamente às crianças exige conhecer suas diferentes realidades, integrar instituições, planejar ações e identificar onde e como os recursos públicos estão sendo aplicados. Essa foi a perspectiva apresentada pelo presidente do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG), conselheiro Durval Ângelo, nesta sexta-feira (28/8), durante o terceiro e último dia do III Encontro Nacional da Primeira Infância (III ENAPI), em Goiânia.
 
Ao apresentar a experiência mineira, Durval destacou que a atuação do controle externo nessa agenda vai além da verificação dos gastos públicos. O Tribunal tem buscado produzir informações que apoiem a tomada de decisões, induzir o planejamento e aprimorar instrumentos de fiscalização, ao mesmo tempo em que fortalece parcerias com outras instituições.
 
“Não é só saber como está a saúde, mas como está a saúde na primeira infância”, exemplificou o presidente ao falar sobre a necessidade de tornar as crianças visíveis no planejamento, nos orçamentos e nas prestações de contas dos municípios.
 
Diferentes infâncias, diferentes realidades
 
Um dos trabalhos apresentados foi o Prisma, que reúne informações para ampliar o conhecimento sobre a realidade do Estado e subsidiar a atuação do controle externo e a formulação de políticas públicas. Dentro da iniciativa, as Trilhas das Primeiras Infâncias permitem olhar para as diferentes condições em que vivem as crianças mineiras.
 
A escolha pelo plural traduz uma preocupação destacada pelo presidente: não existe uma única experiência de primeira infância. Território, condições socioeconômicas, acesso aos serviços públicos, cultura e pertencimento a povos e comunidades tradicionais produzem realidades distintas e precisam ser considerados pelo poder público. Entre os próximos avanços apresentados está a inclusão, no Prisma, de um quadro específico sobre a infância indígena.
 
Durval também citou o “1, 2, 3 e Já”, iniciativa voltada à primeira infância, como parte das ações desenvolvidas para ampliar o acesso a informações sobre o tema.
 
Primeira infância precisa aparecer no orçamento
 
Na fiscalização, o presidente apresentou mudanças no Sicom, sistema utilizado pelo TCEMG para o acompanhamento e a prestação de contas municipais. O objetivo é permitir um monitoramento mais preciso dos investimentos na primeira infância.
 
A classificação distingue despesas exclusivamente destinadas às crianças dessa faixa etária e gastos não exclusivos que produzem impacto transversal sobre elas. Dessa forma, o Tribunal amplia a capacidade de verificar quanto e como os municípios investem na garantia dos direitos das crianças.
 
A lógica é fazer com que a primeira infância possa ser identificada dentro das diferentes políticas públicas. Em vez de conhecer somente o gasto global com saúde, educação ou assistência social, por exemplo, o controle externo passa a buscar informações que permitam compreender como essas áreas atendem especificamente às necessidades das crianças de zero a seis anos.
 
Durval também ressaltou a importância dos Planos Municipais pela Primeira Infância (PMPI) e da correspondente previsão dos recursos nos orçamentos públicos.
 
Articulação para avançar nas políticas públicas
 
Outro eixo destacado por Durval foi a cooperação institucional. O presidente apresentou o Gabinete de Articulação para a Efetividade da Política da Educação em Minas Gerais (Gaepe-MG), do qual o TCEMG é parceiro implementador. O espaço reúne diferentes setores do poder público e da sociedade civil para promover diálogo e construir conjuntamente soluções para os desafios da educação mineira.
 
A experiência exemplifica uma perspectiva defendida pelo presidente durante o encontro: problemas complexos relacionados à infância não podem ser enfrentados isoladamente por uma única instituição. A articulação permite somar competências e construir respostas integradas, mantendo as atribuições próprias de cada órgão.
 
A participação do TCEMG no III ENAPI evidencia, assim, uma atuação que combina conhecimento da realidade, articulação institucional, planejamento, orçamento e fiscalização. O objetivo é contribuir para que a prioridade conferida às crianças pela legislação seja também uma prioridade concreta na elaboração e na execução das políticas públicas municipais.
 
III ENAPI
 
Realizado de 26 a 28 de agosto, em Goiânia, o III ENAPI reuniu representantes dos Tribunais de Contas, gestores públicos, Sistema de Justiça, especialistas e organizações que atuam na defesa dos direitos das crianças.
 
O encontro é realizado pelo Instituto Rui Barbosa (IRB), por meio do Comitê Técnico da Primeira Infância (CTPI), pela Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), pelo Conselho Nacional dos Presidentes dos Tribunais de Contas (CNPTC), pelo Tribunal de Contas do Estado de Goiás (TCE-GO) e pelo Tribunal de Contas dos Municípios do Estado de Goiás (TCMGO).