Siga-nos nas redes sociais:

Acessibilidade

AUMENTAR CONTRASTE

DIMINUIR CONTRASTE

Especialistas debatem desafios da democracia contemporânea em seminário na UFMG

24/09/2026

Seminário Internacional de Democracia e Proteção dos Direitos Humanos - Foto: Veronica Manevy

“Só a democracia pode salvar a si mesma.” Foi a partir dessa reflexão que se iniciou, nesta quinta-feira, 24 de setembro, o IV Seminário Internacional do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG) e do Centro de Excelência Jean Monnet da UFMG (CEJM-MG): Democracia e Proteção dos Direitos Humanos.

Sediado na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o evento apresentou o painel “Democracia na Ordem Internacional: Soberania, Institucional e Relações Externas entre Europa e América Latina”. A mesa foi moderada por Karine Salgado, professora da instituição e coordenadora do grupo de pesquisa Direitos Humanos, Raízes e Afeto, e reuniu três especialistas para debater o tema. 

TCEMG defensor da democracia

O presidente do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais, conselheiro Durval Ângelo — formado em Filosofia, Teologia e Pedagogia —, falou sobre a importância de instituições como o TCEMG no apoio à democracia e de como as eleições que teremos em breve são extremamente importantes, mas ressaltou para não esquecermos que existem outras lutas coletivas necessárias para assegurarmos um Estado Democrático de Direito.

“Temos que defender a democracia como valor absoluto. Democracia e direitos humanos são a mesma coisa”, defendeu o presidente ao concluir sua fala. Para pontuar as contradições do sistema, ele citou o sociólogo Hélio Jaguaribe: “O Brasil é um clube em que todos podem votar em seu presidente, mas nem todos, mesmo se convidados, têm a roupa obrigatória para entrar no baile” — uma reflexão que sintetiza a urgência da igualdade no Estado Democrático de Direito.

 Presidente do TCEMG, conselheiro Durval Ângelo falou sobre o papel das instituições na defesa democrática- Foto: Veronica Manevy

Palestras

José de Magalhães Campos Ambrósio, professor de Fundamentos do Direito da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), apresentou reflexões sobre a crise do Estado e os desafios da democracia contemporânea. Para isso, trouxe o exemplo da ideia de progresso hegeliano, que é uma das categorias fundamentais da filosofia moderna.

“Progredir para Hegel não é resolver contradições, e sim passar de contradições mais óbvias, fáceis e grosseiras para contradições mais difíceis, finas e tonalizadas.” Ele explicou que, no mundo político, nós temos a fantasia de chegar a uma resolução final ou a uma harmonia social final a que nunca chegaremos.

Ele deu o exemplo das questões raciais no Brasil: o caráter de um povo é a marca cicatrizada que esse povo tem em comum. É aquilo que a sociedade vive no coletivo. Tentar trazer uma pele lisa da personalidade abstrata é apagar o povo e apagar a própria soberania.

Em seguida, o professor de Filosofia do Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Philippe Oliveira de Almeida, trouxe uma perspectiva mais filosófica acerca das disputas democráticas e do crescimento do populismo de direita, especialmente no contexto europeu. 

Ao apresentar dados da União Europeia — onde 85,7% da população (387,3 milhões) vive no país de origem e 14,3% (64,7 milhões) é composta por imigrantes —, ele enfatizou como o debate migratório impulsionou a ascensão da extrema-direita no continente.

“Em uma sociedade pautada na lógica de mercado, não são só as empresas que estão concorrendo umas contra as outras para vender o seu produto: os trabalhadores também concorrem. A questão é que a única coisa que o trabalhador tem para vender é a própria mão de obra.”

Ele finalizou trazendo experiências e estudos que mostram como a cultura europeia se baseia não no apagamento do estrangeiro, como muitos pensam, mas na demarcação da alteridade, isto é, na identificação do outro como alguém de fora. A reflexão evidenciou como a construção da figura do estrangeiro permanece central para a compreensão das dinâmicas sociais contemporâneas.

Alunos de diversas áreas do conhecimento estiveram presentes no evento - Foto: Veronica Manevy