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Linguagem simples deve ser medida pelo que muda na vida de quem lê, defendem especialistas

05/10/2026

O painel 'Linguagem Simples nos Tribunais: Possibilidades e Desafios' fechou a programação pela manhã - Foto: Veronica Manevy/TCEMG

A linguagem simples não deve ser avaliada apenas pela impressão de que um texto ficou mais fácil. É preciso verificar se a compreensão ajuda o leitor a agir. Essa foi uma entre várias provocações da programação do Simplifica TCs: Linguagem Simples nos Tribunais de Contas, evento realizado na sede do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG), em Belo Horizonte.

Na palestra magna “Linguagem Simples no Setor Público”, a comunicadora e educadora Heloísa Fischer abordou a mudança cultural necessária para colocar o público no centro da comunicação. Ela explicou que textos longos, frases complexas, substantivos abstratos e excesso de informações podem aumentar o esforço de leitura, inclusive para pessoas com alta habilidade leitura.

Heloísa Fischer abordou a mudança cultural necessária para colocar o público no centro da comunicação - Foto: Veronica Manevy/TCEMG“Linguagem simples é a comunicação em que o texto, a estrutura e o design ajudam os leitores a encontrar o que precisam, entender o que encontram e usar essa informação”, afirmou Fischer, ao apresentar os princípios da norma internacional sobre o tema. A especialista também ressaltou que clareza não é apenas trocar palavras difíceis: é organizar a informação pensando em quem vai usá-la e na situação em que será lida.

Ao tratar da inteligência artificial (IA), Fischer reconheceu o potencial das ferramentas para lidar com grandes volumes de documentos, mas defendeu o uso crítico e a preservação da capacidade humana de avaliar e editar textos. Para ela, conhecer as técnicas de linguagem simples ajuda tanto a escrever melhor quanto a revisar materiais produzidos com apoio tecnológico.

Experiências e iniciativas nos tribunais

O painel “Linguagem Simples nos Tribunais: Possibilidades e Desafios” foi moderado pela conselheira do TCE do Ceará, Soraia Thomaz Dias e reuniu o coordenador do LabLuz do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), Welkey Costa; a secretária de Processamento e Julgamento do TCE de Rondônia, Emanuele Cristina Ramos; e o juiz do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), André Luiz de Aguiar.

Primeiro a falar, Welkey disse que a compreensão deve ser um caminho para alcançar um resultado concreto, e não o único objetivo da simplificação. “A compreensão precisa ser o mecanismo para atingir a verdadeira finalidade: a mudança no comportamento do leitor”, afirmou. Ele citou experiências do TJCE em que a revisão de comunicações foi acompanhada por indicadores de comparecimento, solicitações e uso de alternativas jurídicas.

Na sequência, Emanuele relatou os desafios da implantação da linguagem simples no TCE de Rondônia, entre eles a falta de equipe dedicada, a resistência interna e a necessidade de se preservar a precisão jurídica. Segundo ela, os documentos foram testados com diversos públicos e passaram por várias versões. Como resultados observados, houve redução de dúvidas sobre comunicações processuais e até maior adesão de pedidos de parcelamento e quitação voluntários. “Escrever em linguagem simples não é só escrever diferente, é propiciar o acesso aos serviços, a compreensão dos serviços públicos para a sociedade”, destacou.

Por fim, o juiz André Luiz de Aguiar falou sobre a experiência do TJRS e os obstáculos para manter iniciativas nesse sentido, diante do volume de documentos e das demais atribuições das equipes, já que a maior parte é formada por voluntárias/os. Como caminho prático, sugeriu avançar gradualmente, revisando, por exemplo, um modelo de documento por semana. “A gente tem um longo caminho a percorrer”, afirmou, ressaltando também a aproximação com universidades para que futuros profissionais tenham contato com a linguagem simples desde a formação.

Oficinas técnicas

A programação do evento também inclui oficinas técnicas, em andamento nesta segunda e terça-feira (5 e 6/10), na Escola de Contas e Capacitação Professor Pedro Aleixo do TCEMG. São treinamentos práticos voltados à produção de comunicações, decisões e documentos mais claros e acessíveis.

Entre os temas estão, por exemplo, Linguagem Simples para Iniciantes; Linguagem Simples aplicada a decisões; Direito Visual e Linguagem Simples; e Diretrizes e técnicas de Linguagem Simples no Setor Público. 

Clique na imagem abaixo para acessar a galeria de fotos: (Crédito: Veronica Manevy/TCEMG)

Simplifica TCs - Linguagem Simples nos Tribunais de Contas