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Órgãos públicos se unem para implementar Projeto Minas Pela Primeira Infância

29/10/2026

Não teremos futuro nem perspectiva se não investirmos na primeira infância - Presidente do TCEMG, conselheiro Durval Ângelo - Foto: Vinícius Dias/TCEMG

Os municípios mineiros enfrentam um cenário crítico quanto às políticas públicas voltadas à infância: Minas Gerais é um dos poucos estados brasileiros que ainda não contam com um plano estadual para o setor. 

Em iniciativa voltada à garantia dos direitos fundamentais da infância no estado, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por intermédio do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (CAODCA), formalizou a adesão de diversas entidades ao Projeto Minas Pela Primeira Infância (MAPI). A cerimônia de assinatura ocorreu no dia 29 de outubro, na sede da instituição, reunindo os órgãos e instituições parceiras. 
 
O desenvolvimento dos Planos Municipais pela Primeira Infância (PMPIs) é uma exigência do Marco Legal da Primeira Infância (Lei Federal nº 13.257/2016) para a estruturação de políticas destinadas à faixa etária de 0 a 6 anos.
 
Diante de diagnósticos que indicavam que nem 50 dos 853 municípios do estado possuíam planejamento formal na área, o MAPI foi formulado para prestar suporte técnico e institucional às gestões municipais na elaboração e execução de seus PMPIs. Atualmente, 506 municípios mineiros já aderiram voluntariamente ao projeto.
 
O presidente do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG), conselheiro Durval Ângelo, reforçou o aspecto legal da pauta ao afirmar que a priorização do tema é indispensável.
 
“Nós, enquanto órgãos públicos, temos que agir com firmeza. Temos que nos aliar à UNICEF, à sociedade civil, para cobrar e mostrar claramente que priorizar a primeira infância não é questão de luxo de um governo, é obrigação legal”.
 
TCEMG busca fiscalizar e viabilizar políticas públicas para as crianças mineiras - Foto: Vinícius Dias/TCEMG
 
Metodologia e Suporte Técnico aos Municípios
 
A premissa do MAPI fundamenta-se na autonomia municipal e no respeito às especificidades territoriais, incentivando cada localidade a diagnosticar suas demandas reais em vez de adotar diretrizes padronizadas. A coordenadora do CAODCA/MPMG, Graciele de Rezende Almeida, destacou a abrangência da iniciativa.
 
"Junto a grandes parceiros, o Ministério Público estruturou uma rede para oferecer aos municípios materiais, oficinas e suporte técnico. Discutimos com os gestores as políticas essenciais para que cada cidade construa estratégias capazes de garantir que as crianças tenham as condições necessárias para se desenvolver plenamente."
 
Coordenadora do CAODCA/MPMG, Graciele Almeida, celebrou o sucesso do MAPI, iniciado em 2025 - Foto: Vinícius Dias/TCEMG
 
O programa está em fase de aceleração dos planos, oferecendo capacitação contínua aos gestores públicos por meio de:
 
- Capacitação e Eventos Presenciais: oficinas focadas na formulação de estratégias orçamentárias, na implementação de programas como o Famílias Acolhedoras e em agendas de resiliência climática municipal.
 
- Ferramentas de Gestão: disponibilização de guias metodológicos para a escuta ativa da população e das próprias crianças, acompanhados de fóruns periódicos para o esclarecimento de dúvidas técnicas.
 
- Painel de Business Intelligence (BI): mapeamento de dados estruturados para orientar o diagnóstico local e a tomada de decisões na formulação de políticas públicas.
 
Ao término do ciclo anual, os municípios que avançarem na elaboração e consolidação de seus planos serão reconhecidos com a certificação do Selo MAPI.
 
A representante adjunta para Programas do UNICEF no Brasil, Layla Saad, pontuou que outro fator determinante é considerar as especificidades de cada território no momento de implementar qualquer política. Segundo a Saad, “para que existam políticas eficazes, é necessário compreender as barreiras específicas vivenciadas por diferentes infâncias, como populações negras, indígenas, quilombolas, ciganas e ribeirinhas. A equidade no acesso aos direitos é premissa para a dignidade na primeira infância."
 
Representante da UNICEF no Brasil, Layla Saad, destacou a necessidade de abraçar a pluralidade das infâncias brasileiras - Foto: Vinícius Dias/TCEMG
 
Procedimento para Adesão Municipal
 
A adesão ao Projeto MAPI permanece aberta e deve ser solicitada diretamente pelos chefes do Poder Executivo municipal. Para ingressar no programa, a prefeitura deve formalizar o pedido por meio de ofício assinado pelo prefeito, enviado pelo canal oficial do projeto, com a indicação de dois interlocutores responsáveis pela articulação técnica entre o município e a equipe do MAPI.
 
Fiscalização e Monitoramento
 
A partir de 2027, a ausência do Plano Municipal pela Primeira Infância sujeitará os gestores públicos inadimplentes às sanções previstas na legislação federal. O descumprimento das diretrizes ensejará a aplicação de multas pessoais aos prefeitos, vinculadas ao respectivo CPF, com valores entre R$ 10 mil e R$ 60 mil.
 
Para dar suporte ao controle e à transparência, o TCEMG utiliza o Painel Prisma, ferramenta analítica que realiza o monitoramento individualizado da situação de cada um dos 853 municípios mineiros no tocante às políticas para a infância.
 
Parcerias Institucionais
 
O Projeto Minas Pela Primeira Infância (MAPI) é desenvolvido pelo MPMG em cooperação técnica com a Fundação Ivan Moura, a Rede pela Primeira Infância (REDE/MG), o Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (TJMG), o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG), o UNICEF e o Instituto Alana.