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11º Encontro Técnico aproxima TCEMG dos municípios e debate planejamento, gestão e controle social

14/08/2026

Participantes ocuparam o Centro de Convenções, em Diamantina - foto: Vinícius Dias

A aproximação entre o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG) e os municípios, com troca de experiências, orientação e capacitação de gestores públicos, marcou o 11º Encontro Técnico de 2026, realizado nesta sexta-feira (14/8), em Diamantina. Com o tema Planejamento, gestão e controle social, o evento reuniu prefeitos, vereadores, gestores, secretários e servidores municipais, além de profissionais de diferentes áreas da administração pública.

Promovido pelo TCEMG, por meio da Escola de Contas e Capacitação Professor Pedro Aleixo, em parceria com a Prefeitura de Diamantina, o encontro contou com palestras durante a manhã, no Centro de Convenções da Prefeitura, e oficinas temáticas à tarde, no campus da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG).

Na abertura do Encontro, o presidente do TCEMG, conselheiro Durval Ângelo, destacou que a presença do Tribunal no interior permite uma relação mais próxima com os municípios e contribui para que os próprios servidores do Tribunal conheçam as dificuldades enfrentadas pelos gestores. “O encontro técnico tem esse papel: colocar o Tribunal de Contas próximo do jurisdicionado”, explicou.

Durval ressaltou que o Tribunal funciona de forma centralizada em Belo Horizonte e que o deslocamento de auditores, técnicos e outras equipes para os encontros técnicos também representa uma oportunidade de aprendizado. Segundo ele, o contato direto permite conhecer aspectos da realidade municipal que nem sempre aparecem nos processos analisados pelo controle externo. “Muitas vezes a dor do município não está no processo”, disse.

Ao abordar o tema central do encontro, o presidente comparou o funcionamento do controle na democracia a uma construção sustentada por diferentes paredes. Além do controle externo exercido com a atuação dos tribunais de contas, citou a importância do controle interno das administrações municipais, da fiscalização realizada pelo Poder Legislativo e da participação da própria sociedade. “Na democracia tem que ter controle”, afirmou.

Presidente participou da abertura do evento - foto: Vinícius Dias

O conselheiro também anunciou a intenção de ampliar uma iniciativa voltada ao fortalecimento do controle interno nos municípios. Segundo ele, um programa coordenado pelo controlador interno do TCEMG, Henrique Quites, já trabalha com algumas cidades, e o Tribunal estuda uma parceria com a Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) para ampliar a atuação na região.

Ao dar as boas-vindas aos participantes, o prefeito de Diamantina, Geferson Burgarelli, destacou a importância de levar a capacitação aos gestores do Vale do Jequitinhonha. Ele ressaltou a expectativa de que os conhecimentos compartilhados durante o encontro contribuam diretamente para o trabalho nos municípios. “Tenho certeza de que todos sairão daqui com mais aprendizado, com mais segurança, com mais confiança para trabalhar nos seus municípios”, afirmou.

Programação Técnica

A programação técnica começou com a apresentação do auditor de controle externo Stélcio Messias sobre o Você no Controle, iniciativa de escuta da população desenvolvida pelo TCEMG. Ele apresentou o projeto como a maior ação de escuta pública já lançada pelo Tribunal e explicou que a proposta é conhecer diretamente dos usuários dos serviços públicos quais problemas devem receber maior atenção do controle externo.

Por meio de um questionário, os cidadãos podem apontar dificuldades relacionadas a saúde, educação, segurança pública, assistência social e cidadania, obras e infraestrutura, saneamento e meio ambiente, além de gestão fiscal e governança. As informações coletadas deverão contribuir para o planejamento das futuras ações de fiscalização do Tribunal.

“Vocês apontem o que mais está pegando para a gente ser mais assertivo na ação de fiscalização que vamos exercer”, explicou Stélcio. Para o auditor, quem utiliza cotidianamente os serviços públicos tem mais condições de indicar problemas que podem não ser percebidos previamente pelas equipes de fiscalização.

Na palestra Planejamento Estratégico Municipal: Da Visão à Execução, o auditor de controle externo Anderson Sampaio apresentou o planejamento como elemento indispensável para que as políticas públicas alcancem resultados e ressaltou que planejar não significa tornar a administração inflexível.

“O planejamento não é estático. À medida que ele vai sendo executado, a gente tem o dever de reavaliar a cada momento se estamos no caminho certo, se a melhor decisão foi a que foi tomada anteriormente”, afirmou.

Anderson relacionou o planejamento à definição das políticas públicas e à organização orçamentária dos municípios, passando pelo Plano Plurianual (PPA), pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e pela Lei Orçamentária Anual (LOA). Também alertou que falhas nesse processo podem resultar em obras paralisadas, desperdício de recursos, judicialização e dificuldades para a prestação dos serviços públicos.

Segundo o auditor, o impacto da ineficiência é maior justamente sobre quem mais depende do poder público. Ao concluir a apresentação, resumiu a finalidade do planejamento na administração: “Planejamento e transformação: do papel à realidade, das promessas ao resultado”.

Transparência, controle social e democracia foram apresentados como elementos interligados pelo auditor de controle externo Renato Queiroz, durante a palestra Controle Social e Transparência: Fortalecendo a Democracia Local.

Renato ressaltou que o acesso à informação é condição para que a sociedade consiga avaliar adequadamente a aplicação dos recursos públicos e participar das decisões. Para ele, essa participação ganha especial relevância nos municípios, onde os serviços públicos e seus resultados estão mais próximos da vida cotidiana da população. “É no município que as coisas acontecem, é no município que a vida acontece de forma mais próxima ao cidadão”, afirmou.

O auditor também defendeu que a transparência deve ser compreendida pelos gestores como uma aliada. Ao documentar as circunstâncias de uma decisão e disponibilizar informações de forma adequada, a administração oferece à sociedade e aos órgãos de controle elementos para compreender por que determinado gasto ou política pública foi adotado.

Nesse sentido, Renato diferenciou a simples publicação de informações daquilo que chamou de transparência substantiva. “Não basta divulgar, tem que divulgar da forma correta, tem que divulgar da forma que as pessoas consigam entender, da forma que o cidadão médio, com pouco esforço, ele consiga acessar aquela informação”, explicou.

A apresentação mostrou ainda exemplos do uso de dados pelo TCEMG por meio do Suricato. Entre eles estão painéis e estudos relacionados à contratação de shows artísticos, ao piso nacional do magistério e às políticas para a primeira infância, além de trabalhos sobre saúde pública, segurança alimentar e outros temas.

A programação da manhã também contou com a palestra Caravana de Combate à Fome: Homenagem a Dom Mauro Morelli, ministrada pelo auditor de controle externo Filipi Assunção, sobre a iniciativa do TCEMG voltada ao enfrentamento da insegurança alimentar, e com a apresentação da auditora de controle externo Tatiana Luzia sobre o Ministério Público de Contas de Minas Gerais.

Oficinas Temáticas

À tarde, a programação foi transferida para o campus da UEMG em Diamantina, onde os participantes puderam aprofundar temas diretamente relacionados à rotina da administração municipal em seis oficinas simultâneas.

Ane Marla e Marlúcio Torres conduziram a oficina sobre Gestão Fiscal Responsável, com foco em Planejamento e Transparência. Tatiane Rosmaninho e Gustavo Paschoalini abordaram Licitações, Contratos e Pesquisa de Preços, enquanto Henrique Quites, Luciana Raso e Walkson Batista trabalharam questões relacionadas ao Controle Interno, à Transparência e à Participação Social.

Consórcios Públicos foram discutidos por Léo Grandinetti e Gabriel Castro. Karen Nadolny conduziu a atividade sobre Previdência e Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS). Já Rodrigo Marzano e Thiago Morais abordaram Compliance Eleitoral, Vedações Legais e Responsabilização dos Agentes Públicos. 


Thiago Rios Gomes/TCEMG