Siga-nos nas redes sociais:

Acessibilidade

AUMENTAR CONTRASTE

DIMINUIR CONTRASTE

Boas práticas colocam foco em rastreamento de informações, análise de riscos, transparência e reforçam diálogo com a gestão

11/09/2026

Relatos de boas práticas evidenciaram o papel de assessor das Controladorias Internas municipais. Na foto, sacola com o tema do Seminário - Foto: Veronica Manevy/TCEMG

Municípios, não importa o porte, o nível de desenvolvimento ou a região do estado, demonstraram, durante o II Seminário Controles Internos e os Desafios na Gestão, que as diferenças colaboram para a existência de “uma mesma língua” quando está em debate o lugar institucional do Controle Interno e de sua importância na e para a administração pública.

Independentemente da configuração existente, do número dos servidores envolvidos e dos instrumentos disponíveis, as experiências e boas práticas relatadas durante o Seminário indicaram que as estruturas municipais de Controle Interno têm buscado e colaborado, de forma ativa, para o processo integrado de autocontrole e de apoio a gestores na avaliação e eliminação de riscos de maneira preventiva.

De Ouro Branco, vem o relato do projeto “Ecossistema Mineiro de Controle Interno Municipal”. A iniciativa foi projetada para apoiar os municípios ao disponibilizar ferramentas, experiências, instrumentos, legislações, além de outros documentos. O Ecossistema é um fórum permanente, que pode ser adaptado à realidade de qualquer um dos 853 municípios mineiros, segundo Alex Araújo, que atua como controlador-geral de Ouro Branco.

Rastreamento eficaz

Boa prática da Controladoria de Fervedouro, apresentada pela controladora Cláudia Mendonça (foto), buscou tornar mais eficaz o rastreamento dos recursos de emendas parlamentares - Foto: Veronica Manevy

Da mesorregião metropolitana de Belo Horizonte, onde está localizada a cidade de Ouro Branco, partimos para a Zona da Mata, mesorregião do estado onde fica Fervedouro. É deste município que vem o relato de uma experiência de boa prática destinada ao rastreamento de recursos obtidas por meio de emendas parlamentares.

Segundo a controladora municipal de Ouro Branco, Cláudia Márcia Mendonça, o pontapé para a adoção de um rastreamento eficaz e promoção da transparência foi a Instrução Normativa 05/2025, emitida pelo Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG). Em vigor desde 1º de janeiro de 2026, a norma alinha o controle fiscal mineiro às decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a publicidade de verbas legislativas.

A norma emitida pelo TCEMG obriga a divulgação detalhada do parlamentar-autor, do objeto pactuado, do plano de trabalho e do beneficiário final da verba. “A gente tem trabalhado para encontrar soluções de controle e de transparência, oferecendo para a população caminhos para acompanhar o histórico de gastos e recursos recebidos em Fervedouro”, relata Cláudia Mendonça.

Agir antes de errar

O próximo local de desembarque é São Tomé das Letras, no Sul de Minas Gerais. É de lá que vem a boa prática construída a partir da ideia central de “não esperar dar errado para agir e fazer correções”. O responsável pelo controle interno no município, Taylor Pereira Silva, enfatizou que a Controladoria Interna tem agido como um órgão orientador, buscando se antecipar aos problemas.

É o que tem sido chamado de "Controle Interno Ativo: da atuação formal à prevenção, orientação, monitoramento e resultados", nome da boa prática apresentada no II Seminário de Controles Internos. A área, de acordo com Taylor Pereira, tem investido no diálogo e “olho no olho” para orientar os gestores públicos, com conceitos, leis e orientações. “A gente precisa ir além do registro em papel ou digital. Precisamos conversar e orientar a gestão”, afirma o controlador interno de São Tomé das Letras.

Formação e informação

Evento reuniu perto de 900 pessoas, com representantes de órgãos públicos de todas as regiões do estado - Foto: Veronica Manevy/TCEMGExperiência similar, mas que assumiu a forma de uma cartilha denominada “Guia do Orçamento Municipal”, vem da cidade de Oliveira, no Oeste de Minas. O livreto ajuda os gestores – com mais ou menos experiência – a compreender o setor público e suas estratégias de compras, aquisição (de bens e serviços), recebimento de recursos e outros temas. “Estamos apostando em um processo de formação e informação para apoiar os nossos gestores”, afirma o responsável pela gestão do controle interno no município, Diego Luiz Ferreira.

De Brumadinho, localizado na região Metropolitana de Belo Horizonte, vem a experiência denominada SIGO, um sistema de compartilhamento de informações. Apresentado pelo atual chefe da Controladoria Municipal, Matheus Moraes, o sistema oferece rastreabilidade dos processos, sobretudo daqueles considerados mais sensíveis, de forma sistêmica. A proposta é fazer uma análise de riscos e monitorar esses riscos, a partir de uma escala que ajuda o gestor público a compreender o processo como um ciclo, que se retroalimenta e permite o melhoramento contínuo.

Também da região Metropolitana de Belo Horizonte vem a boa prática denominada "Do Caos ao Controle". O projeto demonstrou que o problema real não estava na velocidade das análises ao final do processo, mas sim na ausência de fiscalização ao longo das etapas anteriores. Ao reestruturar a lógica de atuação, o órgão descentralizou responsabilidades e passou a percorrer todo o ciclo das parcerias públicas, englobando as fases de planejamento, formalização, execução, monitoramento e avaliação.

Movimento contínuo

Entre as boas práticas, veio uma experiência do município de Governador Valadares, situada no Vale do Rio Doce. O servidor William Crispim apresentou o Sistema Vivo de Análise Financeira Eficiente (SEVAFE), uma plataforma desenvolvida por três servidores que foca no controle contínuo e na antecipação de tendências fiscais. O objetivo é simplificar a visualização do fluxo de receitas e despesas para acelerar a tomada de decisões, superando modelos burocráticos tradicionais para que o controle interno possa atuar de forma preventiva e apoiar a gestão em tempo real.

A experiência de Montes Claros foi compartilhada pelo controlador-geral Guilherme Lúcio e pelo vice-prefeito Otávio Rocha, que detalharam o funcionamento do Comitê Permanente de Acompanhamento de Gestão Orçamentária (Compac). Criado há 19 anos, o comitê funciona como um órgão colegiado interdisciplinar que analisa previamente todas as despesas e planos de ação da cidade antes da tomada de decisão final. Ao integrar as áreas de Controladoria, Procuradoria, Finanças e Planejamento, o Comitê garante o equilíbrio entre o orçamento e o fluxo financeiro real, promovendo uma cultura de responsabilidade fiscal e compartilhamento de responsabilidades que impulsionou a eficiência administrativa no município.

Acesse as fotos do primeiro dia (10.9) do II Seminário de Controles Internos e os Desafios na Gestão. Fotos: Veronica Manevy/TCEMG.