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Falta de estrutura dificulta visitas domiciliares em municípios mineiros

13/10/2026

Imagem gerada pelo Microsoft Copilot

A falta de infraestrutura compromete as visitas domiciliares realizadas por equipes de saúde e assistência social em Minas Gerais. É o que mostra o resultado de uma auditoria operacional do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG), ao constatar que, em um universo de 678 municípios, 14,16% deles não possuem estrutura suficiente para a execução das visitas.

Entre os problemas identificados estão falta de transporte, materiais insuficientes, equipes reduzidas e dificuldade de acesso a comunidades rurais ou áreas remotas. Em visitas presenciais em 12 municípios (na 1ª fase, Curvelo, Lagoa Dourada, Santo Antônio do Monte, Timóteo e Vespasiano; e, na 2ª etapa, São Francisco, Gouveia, Ponte Nova, São Vicente de Minas, Rio Paranaíba, Lagoa Grande e Teófilo Otoni), a auditoria também viu agentes utilizando formulários de papel por falta de equipamentos tecnológicos.

O registro manual pode, por exemplo, dificultar a atualização das informações e atrasar o compartilhamento de dados entre os serviços. Também aumenta o risco de perda de documentos e torna mais difícil acompanhar a evolução das crianças atendidas.

Conforme o relatório, a precariedade logística afeta especialmente os municípios de maior extensão territorial e aqueles com comunidades distantes da sede. Nesses locais, o deslocamento consome mais tempo e exige veículos, combustível e planejamento específico.

“Essas dificuldades decorrem, principalmente, de restrições na capacidade local de gestão e priorização dos recursos, resultando em impactos na eficiência e na qualidade das ações, sem configurar descumprimento direto dos critérios avaliados”, indica o relatório.

O problema se soma à ausência de cofinanciamento estadual para o Programa Criança Feliz, já mencionado nesta série (veja aqui). Os municípios participantes dependem dos repasses federais e, em muitos casos, precisam utilizar recursos próprios para garantir transporte, materiais e profissionais.

Nesse sentido, a Unidade Técnica do TCEMG recomenda que o Estado fortaleça o apoio técnico e financeiro aos municípios e defina estratégias para ampliar a estrutura das visitas domiciliares.

Relatório de auditoria

Neste trabalho, o Tribunal analisou a primeira infância no contexto dos programas de visitação domiciliar Criança Feliz (PCF) e Estratégia Saúde da Família (ESF). A auditoria, conduzida de abril de 2025 a junho de 2026, chegou às conclusões a partir da combinação de: envio de questionário eletrônico aos 853 municípios; entrevistas com gestores/as estaduais e municipais, agentes comunitários de saúde (ACS); visitas técnicas presenciais em 12 municípios; além da análise de planos, normas, atas, programas, mecanismos de monitoramento e instrumentos de planejamento.

A vistoria nas cidades teve duas etapas. Na primeira, cinco municípios foram selecionados, considerando-se cinco mesorregiões distintas, a partir de critérios operacionais definidos por meio da Cartilha GAPI* 2025, elaborada pelo Comitê Técnico da Primeira Infância, fruto de atuação do Instituto Rui Barbosa (IRB) e da Associação dos Membros das Tribunais de Contas do Brasil (Atricon). Esta fase foi realizada de maneira coordenada e conjunta, no primeiro semestre de 2025, com envolvimento de 29 tribunais de contas estaduais.

Na etapa seguinte, em continuidade aos trabalhos e com o objetivo de promover a ampliação da representatividade regional, o TCEMG escolheu mais sete municípios, de modo a completar as mesorregiões ainda não contempladas e, assim, ter todas as 12 mesorregiões mineiras no conjunto da auditoria. Todos os critérios estão devidamente detalhados no relatório, que pode ser consultado, na íntegra, neste link.

*Grupo de Auditoria para a Primeira Infância (GAPI).

- Clique aqui para acessar, também, artigo do presidente do Tribunal de Contas, conselheiro Durval Ângelo, sobre a primeira infância.