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Ausência de plano estadual de capacitação deixa profissionais da saúde sem preparo para lidar com primeira infância

14/10/2026

Ausência de protocolos que determinem a interação entre a assistência social e saúde precarizam serviços oferecidos à população. Imagem gerada com suporte de IA
A falta de um programa estadual permanente de capacitação fragiliza o atendimento às crianças de zero a seis anos em Minas Gerais, segundo relatório de auditoria que acaba de ser divulgado pelo Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG). Neste trabalho, realizado entre abril de 2025 e junho de 2026, o Tribunal focou na primeira infância a partir da atuação dos programas de visitação domiciliar Criança Feliz (PCF) e Estratégia Saúde da Família (ESF).

Para chegar aos resultados, a auditoria considerou: questionário eletrônico enviado aos 853 municípios, com respostas recebidas de 700 cidades; entrevistas com gestores/as estaduais e municipais, agentes comunitários de saúde (ACS); visitas técnicas presenciais em 12 municípios (verifique aqui os critérios); além da análise de planos, normas, atas, programas, mecanismos de monitoramento e instrumentos de planejamento.

Despreparo em alta

Entre os municípios que responderam, 66% dos gestores/as afirmaram não ter realizado nenhuma ação de capacitação relacionada à primeira infância. O percentual representa aproximadamente 462 municípios.

A auditoria também identificou problemas na integração entre saúde e assistência social. Cerca de 80% dos municípios respondentes — aproximadamente 560 dos 700 — informaram que os profissionais de saúde não recebem capacitação integrada com as equipes da assistência social.

Na conclusão do TCEMG, a falta de formação continuada dificulta a identificação de situações relacionadas à saúde mental e ao desenvolvimento infantil. Entre os temas citados no relatório estão o Transtorno do Espectro Autista (TEA), o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), a depressão infantil e os atrasos no desenvolvimento.

O documento registra que “os principais desafios enfrentados pelas equipes da ESF na execução das visitas domiciliares é o despreparo para lidar com saúde mental infantil”. Afirma, também, que “o foco em indicadores básicos como peso, altura e vacinas, sem a utilização sistemática de instrumentos disponíveis para avaliação do desenvolvimento infantil integral, resulta em um acompanhamento limitado, restrito à sobrevivência da criança”.

Nos 12 municípios visitados presencialmente (na 1ª fase, Curvelo, Lagoa Dourada, Santo Antônio do Monte, Timóteo e Vespasiano; e, na 2ª etapa, São Francisco, Gouveia, Ponte Nova, São Vicente de Minas, Rio Paranaíba, Lagoa Grande e Teófilo Otoni) o Tribunal constatou a inexistência de um cronograma fixo para o aprimoramento dos Agentes Comunitários de Saúde.

Como proposta de encaminhamento, o TCEMG recomendou Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), do Governo do Estado, a “institucionalização de um Programa Estadual de Educação Permanente”, com plano de capacitação, cronograma fixo, metas e indicadores. O Tribunal também sugeriu treinamentos conjuntos entre as áreas de saúde e assistência social.

Embora a secretaria tenha informado que está elaborando um Guia de Estratificação de Risco da Criança e do Adolescente, a auditoria identifica, porém, que ainda são necessárias medidas estruturadas e contínuas para que a capacitação não dependa de iniciativas isoladas.

- Clique aqui para acessar o relatório na íntegra.